Discurso de Paraninfo do 3º Ano de 2004 – Seminário

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Magnífico Reitor, Reverendíssimos Padres, Ilustríssimos Colegas Professores, demais autoridades presentes à mesa. Senhores Pais, Parentes, Amigos e Alunos aqui presentes. Boa Noite!

Foi com muita alegria que recebi e aceitei o convite e o posto de Paraninfo da turma de formandos de 2004. Turma essa que acompanho desde o seu ingresso ao Ensino Médio e, por isso sou testemunha do amadurecimento pessoal de cada um, afinal, é interessante fazer uma retrospectiva e perceber como vocês eram e como estão agora.

Não posso mentir, mesmo que estejamos em dia de festa, dizendo que tenha sido, ao longo dos três anos, uma turma homogênea. Pelo contrário. Talvez, tenha sido a turma mais heterogênea com que já tenha trabalhado. Entretanto, não é exatamente isso que pedimos aos nossos alunos, ou seja, que desenvolvam e aperfeiçoem suas habilidades de forma individual para um bem comum? São Paulo faz, em I Coríntios 12, 12-30, a comparação do corpo e dos membros, para nos mostrar o quanto se faz necessária a singularidade das funções para o bem de todo o corpo, desde que cada um desempenhe o que lhe é proposto. E, foi exatamente assim que esta turma se mostrou ao longo desses três anos em que estive ao lado deles: completando-se por meio de suas diferenças.

Sinto-me feliz e privilegiado por saber que, de alguma forma, contribuí para que essa junção de diferenças fosse possível, mesmo que, em muitos momentos, de forma não tão harmoniosa quanto o pretendido. Mas, o fato é que, tantas vezes, por meio desses fatores, sem que sequer se perceba, Deus capacita e desperta, todos nós, à necessidade de um crescimento completo, não apenas físico, mas, sobretudo, espiritual, uma vez que mostra o quão pequenino cada um é e o quanto ainda é possível crescer, avançando para as “águas mais profundas” da convivência.

É importante também não se esquecer daqueles que começaram com esta turma, lá no primeiro ano e que, por um motivo ou outro, não permaneceram, mas que, sem dúvida, tanto ensinaram, tanto completaram, tanto fizeram cada um, aqui presente, crescer. Gostaria de ressaltar, de forma especial, o nosso saudoso André, que, conforme já foi mencionado, por desígnio divino, foi para junto do Pai. Tenho a certeza de que em cada coração, que conviveu com ele e que hoje aqui está, há um pouco da sua presença e da sua bondade; assim como, no coração dele, mais do que nunca, há a presença e a preocupação com cada um de nós.

Por fim, gostaria de dar a última aula de Literatura a estes formandos. Sei que pensarão: “Ah! Hoje? Não!”. Mas lhes garanto que será uma aula diferente, inspirada em minha colega Marta Braga, que no ano passado, ao compor, ao meu lado, a mesa dos Paraninfos dos formandos daquele ano, fez uma interessante comparação entre os alunos e os vultos históricos. Assim será a nossa aula, meus caros paraninfados, entretanto, a diferença é que, em vez de os comparar a vultos históricos, comparar-lhes-ei a vultos ou importantes obras da Literatura Portuguesa e Brasileira. Dessa forma, creio que os demais aqui presentes poderão conhecer um pouco sobre cada um de vocês.

Sendo assim, poderia comparar o Alexandre ao Joaquim Manuel de Macedo, pela simplicidade fascinante e conquistadora; o Bruno Francisco ao Euclides da Cunha, pela competência exemplar em suas atividades; o Bruno Machado ao Cláudio Manuel da Costa, pelo “inutilia truncat”, ou seja, pelo corte dos excessos em suas provas enxutas e concisas; o Bruno Rodrigues ao Gregório de Mattos, pela personalidade, pouco se preocupando com o julgamento dos outros; o Diogo ao João Cabral de Mello Neto, pelo silêncio e pela objetividade de suas ações; o Fernando ao José de Anchieta, pela seriedade e objetividade, tendo a convicção de sua missão; o Jordi ao Manuel Bandeira, pela capacidade perfeita de se adaptar com maestria ao estilo reinante; o Leonardo ao Oswald de Andrade, pela indiferença aos padrões preestabelecidos, criando o seu próprio estilo; o Ludemir ao regionalismo puro e encantador da prosa de Guimarães Rosa; o Marciley ao Sá de Miranda, pelo constante interesse pelas novidades; o Marcus Vinícius ao Fernando Pessoa, pela criatividade exacerbada; o Moisés ao José de Alencar, pela generosidade somente vista nos Romances indianistas desse mestre da Literatura; o Rafael ao Gil Vicente, pela sua constante preocupação social e por estar sempre ciente de todos os acontecimentos do mundo; o Rodrigo ao Olavo Bilac, pela inteligência e pelo domínio da linguagem e da forma; o Rogério ao Padre Antônio Viera, pelo questionamento e pelo jogo de idéias do conceptismo; o Weber ao Monteiro Lobato, pelas atitudes pueris e sinceras, típicas da magia dos personagens do “Sítio de Pica Pau Amarelo”.

Vai ser difícil imaginar um ano seguinte sem estes artistas, afinal, não terei mais o Bruno Machado para me pedir carona e nem terei que dividir o jornal com o Weber, querendo ler as histórias em quadrinho. São coisas pequeninas como essas que nos marcam para sempre e eternizam a nossa convivência.

Espero que sejam muito felizes e que continuem sendo artistas maravilhosos na Engenharia, no Jornalismo, no Direito, na Música, na Filosofia, na Física, no Sacerdócio e tantas outras escolhas que vocês terão que fazer ao longo de suas vidas.

Que Maria os cubra com o Manto Sagrado e que Deus possa abençoar vocês!

Meus parabéns, por mais esta vitória alcançada! E não se esqueçam de que é mais uma vitória, e não a última.

Um forte abraço.

 

Petrópolis, 23 de novembro de 2004. – nº 1328.

Leandro A. Rodrigues.

2 Comentários

  1. Luisa Theis Machado
    dez 13, 2012

    Leandro, curti muito seu discurso. Estou lendo alguns pois estou preparando o meu para a formatura no próximo dia 21/12. O que mais me chamou a atenção foi a transparência da espiritualidade que existe em você. Certamente serviu de reflexão para a minha manifestação como madrinha dos formandos do Ensino Médio. Obrigada.

    • Leandro
      dez 14, 2012

      Prezada Luísa Theis Machado,

      Primeiramente, muito obrigado por ter visitado o meu blog.
      Estou bastante feliz com o fato de você ter gostado dos meus textos.
      Na próxima semana, se Deus quiser, estarão mais dois textos, pois serei patrono de uma turma logo mais e, na próxima segunda-feira, serei paraninfo de outra.
      Você leciona qual matéria?
      Onde?

      Um grande abraço!

      * P.S.: aguardo o seu retorno!


      Atenciosamente,

      Leandro A. Rodrigues
      http://leandroarodrigues.com.br/

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